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Lado Sinistro - Só Nerdice

Não é aconselhável para cabeças psicologicamente fracas e crianças que não são acostumadas a este tipo de literatura.

Aposto que você não sabia

Certeza que não.

Só N3rd1c3s

A especialidade da Casa.

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Fuja de Museus , Não São Seguros.

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Olá Nerd's Tudo bom? (espero que sim)
Tem algum tempo que já não temos uma Creepypasta por aqui, mas logo hoje tem uma Creepypasta bem curtinha , não é das melhores , para aqueles que não gostam das mais compridas (eu prefiro as compridas).

Fuja de Museus .

Há muitos anos atrás, uma menina chamada Roberta, apesar de ser muito esperta, sempre acabava metida em alguma confusão...

Houve um excursão na sua escola, e ela viajou com seus amigos.
Na cidade que eles foram, havia um museu fantasma...O grupo animou-se em visitá-lo, afinal, seria uma aventura...

Ao entrar no museu, eles perceberam que o local era sombrio e escuro, e apenas o que estava sendo exposto era iluminado por luzes roxas e vermelhas.

Roberta e seus amigos ficaram impressionados com o museu, havia tumbas, múmias, esqueletos, caveiras...Mas quando eles chegaram próximos ao último esqueleto, já no final do corredor do museu, havia uma placa que identificava o esqueleto como Pirata Assassino...

O esqueleto era sinistro, ele tinha um chapéu na cabeça, um ganho na mão esquerda que segurava uma espada era ameaçador...

De repente, o terror começou, quando o grupo menos espera, aquela criatura horrenda cria vida e começa à assassinar integrante por integrante do grupo de amigos...


Vai me ver no museu novamente quando?


O novo tom de vermelho das paredes

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Olá Nerd's tudo bom? (espero que sim)
Depois de quase duas semanas sem uma boa Creepypasta,aqui está... Para os novos de espirito que não sabem o que são Creepypastas, elas são histórias de terror que circulam pelo Lado Obscuro da internet sendo mais conhecidas como "Copypastas" Histórias de copiar e colar. Geralmente as histórias simplesmente não tem uma origem e foram colocadas na internet por divertimento dos que apreciam uma boa história de terror.



"-Era um dia nublado, ainda com sol mas escondido atrás das nuvens,eu e meu irmão estávamos dando uma volta falando sobre o que estava acontecendo,como ele não morava mais comigo aquele virava um momento especial era mágico ouvir as histórias dele de onde ele vivia agora eu só não entendia uma coisa porque quando eu estava com ele (talvez fosse apenas um pressentimento),todos me encaravam como você olha para um bêbado quando conversa sozinho eu nunca tinha me importado com isso,até aquela semana!Comecei a perceber que meu pai e minha mãe não eram mais os mesmos, não sei estavam estranhos, deprimidos choravam sempre que eu comentava sobre meu irmão,pensei, oras o que está acontecendo?Ele lhes fez algo?Foi tão ruim assim? Maseu mesmo respondia minhas perguntas pensando, não ele não seria capaz de desagradar nossos pais a certo ponto do qual eles chorassem. Foram semanas e semanas angustiantes ouvindo meus pais brigando falando sobre algum acidente e sempre quando eu perguntava algo sobre as brigas eles desviavam o assunto me perguntando você já fez a lição de casa? Já arrumou seu quarto?Até aquele dia.Foram dias estranhos mas legais, a companhia do meu irmão me deixava feliz,estar junto a ele me dava uma coisa boa no coração.Mas naquele dia, no dia do meu aniversário de 18 anos, meu presente não foi o melhor, de uma hora pra outra eu vi um carro com uma maca chegando perto da minha casa, fiquei assustada pensei que alguém tinha se machucado, só não sabia que era eu mesmo.Eu fui levada a força à um hospital psiquiátrico que eu não me lembro bem o nome,lá eles me sedaram e até eu dormir só deu tempo de ouvir uma coisa que minha mãe dissera, agora eu já posso falar sobre aquilo? O cérebro dela já está destruído ela não tem mais chance de lutar contra isso. Quando acordei fiquei desesperada, o que estava acontecendo? Do que ela estava falando? Será que tinha a ver com o acidente? Sim...Quando os médicos (acompanhados da minha mãe)vieram falar comigo, disseram que eu fiquei em coma 5 anos por causa de um acidente sofrido, e me disseram também que no dia do acidente a pessoa mais maravilhosa que eu já havia conhecido morreu...Meu irmão. É bem todo aquele tempo eu estava mesmo parecendo um bêbado falando sozinha, e as brigar eram mesmo por causa de mim, ah e eles só me levaram pra lá no dia do meu aniversário pois eu já podia ser internada...Pois é eu estive aqui trancada em um lugar sendo chamada de louca e minha única companhia era meu irmão, ele ainda estava bonito e falando do lugar maravilhoso que ele morava, que agora que após aquilo compreendi onde era. Hoje em dia não sou mais chamada de louca,e nem sou idiota por falar com um fantasma, agora que decidi que ir ao encontro do meu irmão é uma boa ideia, acho que quando abrirem minha sela vão ter uma surpresinha com o novo tom de vermelho nas paredes..."

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O Que Está Fazendo Garota?

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Olá Nerd's Tudo bem? (espero que sim) ,a quanto tempo devo-lhes uma creepypasta,sim essas histórias que rolam pela internet,achei essa perdida,bem curta.

"Eu estava na floresta, acampando com um amigo, num dia comum, aliás, em um sábado!
Eu não conhecia a ninguém de lá, exceto meu amigo, todos eles estavam de camisa laranja, meio amarelada, estava me sentindo estranho.
Apesar de meu amigo estar passando mal, tive que ficar sentado, esperando o Mark chegar, que é o "chefe", acho. 

Tinha uma tradição lá, era na fogueira, eles sentavam em volta da fogueira e ficavam cada um contando histórias de terror. E, com isso, começa a aparecer cenas dessas histórias. Eu, confuso, fui ver como meu amigo estava, fui a cabana que eu e ele estavam, ele não estava lá, fui ver no banheiro, que era no final das 200 cabanas, que dava um total de 300m. Fui correndo, estava escuro. Porém, a luz do banheiro estava acesa. 
...
Cheguei ao banheiro, abri, e ele não estava na parte da pia, fui abrindo cada "box" com cuidado, ele estava no sexto ''box", amarrado, com uma fita na boca, com sangue saindo da boca, eu tirei a fita da boca dele e perguntei o que estava acontecendo, ele me respondeu que Mark e seu sócio tinham amarrado ele, pois ele era desagradável. Eu, com os olhos arregalados, fiquei quieto. Fomos, correndo no escuro, os 300m a frente, tropecei em alguma coisa, parecia um fio. Tive que levar 4 pontos no queixo, porém, acidentes acontecem.
Indo em direção a fogueira, nos sentamos, meio que perto um do outro, para não ficarmos longe um do outro. Tinha uma menina que eu achei bonita no começo, ela não era estranha para mim.
Estávamos comendo salsicha na fogueira, com um palito de 25 cm, de repente, minha salsicha cai na fogueira, Sarah, a menina irresistível, colocou a mão na fogueira, sem se queimar, me devolveu a salsicha. Eu, com certeza, gritei:
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO GAROTA?
Ela não respondeu, ficou quieta.
A gente percorreu para o meio da floresta para acampar "de verdade", não tinha acontecido nada comigo, até um certo tempo que comecei a ouvir vozes novamente.
Fechei meus olhos e pensei em coisas boas que já me aconteceram.
Dormi, de repente.
Quando amanheceu, voltamos as cabanas, arrumamos a nossa mala, e fomos ao ônibus, mas, eu e meu amigo entraram no ônibus, só a gente, estranhei. Olhei para fora da janela, todos estavam dando tchau. Quando o ônibus acelerou, as pessoas desapareceram como se fosse fumaça. Me arrepiei."



Além da morte nada mais lhe pertence

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Olá Nerd's depois de tanto tempo sem Creepypasta (não sei se pode considerar uma mas...)eu não considero uma Creepypasta mas, quando uma história passa a ser uma história que envolve um amor fascinante eu coloco.


“Porque você não me ama mais?
Foram as única  coisas que ela ouvi antes do telefone desligar e o “incidente” acontecer.”Era um dia bonito, ameaçando chuva, mas mesmo assim bonito, ele estava indo ao encontro da sua amada, por cada pessoa que passava as pessoas percebiam aquele olhar, aquele olhar que todos sabiam que o que expressava era paixão o padeiro com olhar de orgulho, a mulher da banca de jornais com um sorriso lembrando da época em que isso já acontecera com ela, e floricultor que após perceber a paixão no olhar lhe ofereceu uma rosa para levar à pessoa amada, o home não pensou duas vezes antes de comprar. Já era noite quando chegava perto da casa dela quando cheguei lá na frente...Porque ela me recusou de novo?  Porque ela fez esse mal pra si mesma? Mas hoje eu não preciso mais me importar porque agora posso ama-la incondicionalmente, já que depois de 6 facas a alma dela não pertence mais a ela mas sim a mim.



O Que Acontece com Curiosos

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O Que Acontece com Curiosos

Na escura e fria noite

Barulhos são ouvidos da Floresta do Sofrimento

Gritos desesperados ao relento

De uma vida que estava por se esvair

"Mas o que é isto?" se pergunta o garoto curioso

Todas as noites a um grito, um desaparecimento, uma morte

Os adultos diziam ser um animal raivoso

E que se todos permanecessem em casa dariam sorte

Mas o garoto era curioso

A floresta úmida lhe causava arrepios

O vento gélido tocava sua pele desprotegida trazendo junto consigo um cheiro esquisito

Sua respiração falhou, reproduzindo dois assovios.

As pernas queriam correr, mas o garoto era curioso.

A fera o encarou com seus orbes brilhantes

Sangue na boca, nas mãos, no chão.

E num intervalo da lua ofuscante

Sentiu suas vísceras sendo rasgadas e o sangue em sua garganta

Mas o que poderia fazer?

Era um garoto curioso.


Vultos ,Você Já viu? Sim!

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Olá Nerd's ,quem acompanha o blog desde o começo sabe que eu sou um grande admirador de histórias de terror amo elas,e acho repugnante histórias de contos de fadas por isso prefiro as de terror,e como tem um certo tempo já que não coloco no blog aqui tem uma das minhas preferidas contadas contada com minhas palavras.

Todo Ser Humano viu vultos, ou sentiu a presença de algum ser enquanto dorme seja por causa que está com medo ou simplesmente por causa de um filme de terror bom não acredito Nisso acho que todo ser seja ele obscuro quando morre deixa uma sobra em seu lugar, e essa sombra passa a habitar um determinado lugar de sua vida seja ele o local onde ele mais viveu enquanto estava vivo.

Por Exemplo essas sombras que você enxerga durante a noite passando rapidamente pelo o corredor  é conhecido por alguns como Carazi,um ser que habita lugares escuros em geral mas é apenas um nome universal para os vultos minunciosos que abitam a escuridão durante a noite fria,mas você pode pensar que é mentira, se achar melhor continue pensando pois os barulhos que você ouve a noite é o Carazi,bagunçando pela sua casa.

Carazi é um ser não muito alto de olhos negros,onde não tem pupilas e uma boca grande com dentes pontiagudos, que habita a escuridão da sua casa enquanto você dorme e durante o mesmo você dorme ele te observa com olhos atentos a qualquer movimento, e quando você sente a presença dele te recomendo não ascender a luz do quarto repentinamente pois pode assusta-lo e se ele olhar diretamente no seu olho sua visão ficará esbranquiçada e não enxergará nada,durante breves segundo e se isso acontecer você poderá morrer nas mãos dele, recomendo apenas deixar ele te olhar,ele também costuma brincar e incorporar o copo de seres inanimados e seres humanos também. 

Boa Noite a Todos espero que durmam bem Tarde hoje!!!






O Pesadelo

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O Pesadelo


1
Era mais de meia-noite, a garota Laura estava deitada em sua cama, com os olhos bem abertos ela encarava o teto, não queria dormir, tinha medo. Era horrível saber que depois que fechasse seus olhos o inferno começaria. A menina sofria muito, todas as noites ela tinha o mesmo pesadelo, um pesadelo que fazia sua vida parecer sem sentido, que a impedia de ser feliz. Essa era a realidade da pobre garota.
Como em todas as noites, Laura rezou, pedindo a Deus que desse vez ela tivesse uma boa noite de sono, que o pesadelo que lhe impedia de seguir em frente não lhe atormentasse. A garota terminou de rezar e fechou seus olhos. Dormiu e sonhou.

2
Laura estava na mesa jantando, acompanhada de sua mãe Márcia e sua única irmã, Maria. Maria era 5 anos mais velha que Laura, tinha 17 anos e era uma garota muito inteligente e responsável. A mãe de Laura, Márcia, tinha 34 anos e nos últimos 5 vinha se esforçando muito para cuidar das filhas, sempre fora uma mãe boa e sentia-se uma mulher realizada com sua família, até que seu marido, Olavo, começara a beber todos os dias e assim fazer muita confusão quando chegava em casa.
Sentados na mesa os três pareciam uma filha normal, mas o clima só estava tranquilo por que ainda eram 20:30 da noite e Olavo ainda não havia chegado.
Não demorou muito para que a porta do apartamento se abrisse e o homem entrasse com uma cara de louco, totalmente possuído pela bebida. Olavo era um desses homens que bebe e não fica exatamente bêbado, mas sim agressivo, chegando ao ponto de fazer coisas sem sentido. Em muitas brigas as garotas escutavam a mãe falando que o pai agia como se estivesse possuído pelo Diabo, Laura odiava ouvir isso, morria de medo.
Olavo entrou, foi para o quarto, voltou até a cozinha e sentou-se do lado da esposa para jantar, Laura e sua irmã permaneceram quietas, já fazia muito tempo que elas passaram a ter medo do pai. O homem começou a comer, mas depois de quatro colheres de comida pegou o prato e o jogou no chão, quebrando todo o clima que havia na casa á poucos minutos atrás.
- Maria vá para o seu quarto... Você e sua irmã. Falou Márcia.
- Isso, vão mesmo, por que ninguém aguenta comer esse lixo! Disse o homem que já nem parecia Olavo, o carinhoso pai que as meninas tiveram um dia.
Laura foi abraçada pela irmã e levada para o seu quarto. As meninas encostaram a porta, sentaram-se na cama e Maria disse a irmã.
- Fique tranquila, ta tudo bem, ok? Daqui a pouco o pai dorme e tudo vai passar!
- Ta bom. Respondeu Laura com um rosto triste, a menina estava cansada daquela situação, sem contar que tinha medo de que uma tragédia um dia acontecesse.

3
As coisas não melhoraram, o tempo foi passando e a discussão do casal só foi piorando. Laura começou a chorar, não aguentava ver os pais brigando, Maria abraçava a irmã cada vez mais forte. De repente as garotas ouviram Márcia gritando de dor, um grito longo carregado não só de dor, mas também de raiva e medo. Maria não sabia o que fazer, eles nunca se agrediam, brigavam quase todos os dias, mas o pai nunca havia levantado a mão para a esposa.
Na cozinha o barulho era alto, Maria agora tinha certeza uma luta estava acontecendo, mas o tumulto não durou muito tempo, depois de ouvir barulhos de cadeiras sendo derrubadas e mais um grito de Márcia o silêncio tomou conta da casa.
Laura estava confusa, ela só tinha 12 anos, mas sabia que havia algo errado, ela sentia isso.
- Fica aqui, eu vou dar uma olhada, mamãe deve ter arrumado as coisas, decerto ele foi dormir agora. Fica aqui, sentadinha. Falou Maria tentando acalmar sua irmã caçula.
Laura tentou ficar mais calma, com o olhar acompanhou sua irmã até a porta depois viu que a irmã abriu uma fresta e tentou sondar o que estava acontecendo na cozinha. A  garotinha então notou que sua irmã não se mexia, parecia estar em choque. Laura levantou da cama e foi em direção a porta, se agachou em baixo da irmã e contemplou a cena que tinha deixado Maria sem movimentos.
O pai, Olavo, estava debruçado em cima de Márcia, que não reagia, o homem serrava o pescoço da esposa com uma faca, faca que provavelmente era uma das que a mãe havia colocado na mesa juntamente com os garfos e pratos para o jantar. Olavo parecia estar concentrado no trabalho pois nem se importava com o sangue que era jorrado da garganta da esposa. Laura não aguentou a cena e acabou expressando uma reação que interviu no monstruoso ato do pai. A menina gritou, um grito agudo e baixo, quase sem voz, mas que chegou aos ouvidos de Olavo, o homem se virou em direção ao som e viu as duas filhas paradas na porta do quarto.
Laura olhou para o monstro que estava tomando conta do corpo de seu pai e ficou ainda mais assutada quando o mesmo a fitou com um olhar carregado de maldade, Olavo naquele momento era um demônio em pessoa. O homem levantou com a faca na mão, o rosto e camisa cobertos de sangue e com um sorriso no rosto avançou em direção à suas filhas.

4
Com o grito de Laura, Maria saiu do transe e ao ver o pai vindo em sua direção fechou com pressa a porta do quarto, a garota trancou a porta.
Laura olhou para a irmã mais velha e sentiu-se segura, Maria era uma garota que pensava rápido. A filha mais velha de Olavo pegou seu celular e ligou para sua tia Renata, que era irmã de Márcia e ao mesmo tempo uma segunda mãe para as meninas.
- Tia, venha pra cá agora, o pai bateu na mãe... ele ta com uma faca e quer pegar eu e a Laura, a gente ta trancada no quarto, eu não sei mais o que fazer!
Disse a garota desesperada.
Quando ela desligou o celular o demônio já batia na porta, cada vez com mais força! E a porta já dava sinais de que não ia aguentar mais ser forçada.
- Laura se esconde, entra em baixo da cama, vai!
A pequena menina fez isso e Maria foi até a porta para impedir a entrada do pai. Mas o monstro era mais forte, a porta balançou e a fechadura estourou.
Debaixo da cama o pesadelo da pobre Laura continuou, ela viu mais uma cena horrível, o pai agredindo a irmã, puxando seus cabelos, a jogando no chão. O monstro então subiu em cima de Maria e se preparou para destroça-la, mas antes que a lamina descesse a atingisse Maria, a garota olhando para a irmã caçula que estava embaixo da cama, gritou:
- Fuja Laura! Fuja!
Laura então saiu debaixo da cama e se preparou para correr para porta, enquanto isso seu pai rasgava o pescoço sua querida irmã. A garotinha tentou avançar para a saída do quarto mas seu pai foi mais rápido, quando Laura tentou fugir pela porta acabou dando de frente com Olavo, o homem a encarava sorrindo.
- Ainda não é hora de ir minha pequena. Venha, eu tenho um coisa para você. Falou o homem totalmente alterado.
A menina entendeu que por ali não havia escapatória, então correu para a janela do quarto, sua única chance. Chegando lá encarou a queda. A família morava no terceiro andar.
- Não, não Laurinha... você não vai fugir do papai sua vagabunda!
Disse o demônio correndo em direção a menina, para terminar o que havia começado.
Mas agora Laura já havia subido na janela e antes de pular pedido a Deus que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo, pois a vida não faria sentido se aquilo fosse real. Como ela viveria sabendo que o pai matou a mãe e a irmã e que estava atrás dela?
Não, não fazia sentido mesmo! A vida não seria justa se tudo aquilo fosse verdade!
Laura fechou os olhos e pulou.

5
Sentiu que a mão de seu pai quase a agarrou, mas o monstro não havia conseguido, agora ela estava livre, caia de pé e enquanto seu corpo era levado até o chão, lembrou de quantas vezes tinha olhado para aquela janela e ficado com medo de cair de um lugar tão alto. Chegará até a lembrar de uma conversa que teve com a irmã.
"Se eu pular daqui eu posso sair voando Maria? – Acho não Laura, você ainda não tem assas. Lhe respondeu Maria sorrindo."
Mas agora ela tentava imaginar que a queda era pequena, que não seria preciso assas e que quando seus pés atingissem o chão, ela se afirmaria na terra, estaria a salvo.
Só que em pesadelos as coisas nunca são como nós queremos, quando Laura atingiu o solo, sentiu a maior dor de sua vida, o impacto foi tão forte que a garota berrou de dor ao sentir os ossos das pernas se espremendo, sendo despedaçados pela força da gravidade. Era como se suas pernas tivesse sido arrancadas. Gritou e nesse momento teve a certeza de que a morte havia lhe alcançado. Gritou e abriu os olhos para ver como era o céu, pois no fundo do seu coração sabia que era esse seu destino. O paraíso, junto de sua mãe e de sua irmã.

6
Ao abrir os olhos Laura não estava no céu, mas sim no seu quarto, estava deitada na cama, suando muito, apavorada, o pesadelo novamente atormentara a garota. A luz do quarto se acendeu e Laura ouviu alguém dizer:
- Foi o pesadelo de novo minha filha?
- Uhum. Confirmou a menina.
- Não se preocupe, nós vamos superar isso, você vai ver, eu vou dar um jeito de resolver isso.
Mas Laura no fundo sabia que seria muito difícil alguém resolver seu problema.
- Eu posso ir dormir com você? Perguntou Laura.
- É claro minha linda. Disse sua tia Renata, enquanto se aproximava da cama da sobrinha.
A mulher se perguntava até quando a pobre Laura ia ficar revivendo aquela horrível memória. Até quando a garota iria ficar revivendo o pior momento de sua vida.
Não sabia... Mas ela iria ajudar a sobrinha, depois de tudo o que ela havia passado, depois de perder a mãe e a irmã.
Renata não deixaria Laura sozinha, ainda mais sabendo que Olavo estava preso não muito distante dali.
- Vamos Laura, quem sabe lá no quarto você durma mais um pouco minha filha.
Renata beijou a testa de Laura e ajudou a garotinha que agora tinha 14 anos a subir em sua cadeira de rodas. Levou a pequena para o seu quarto e enquanto empurrava a cadeira de Laura a tia também chorava, chorava por que seus pedidos a Deus não se realizam, já fazia mais de dois anos que Laura era atormentada por aquela horrível memória, chorava por que não entendia o motivo de a vida ser tão injusta com uma inocente criança.

Sonhos Lúcidos

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 Sonhos Lúcidos



Tenho tido alguns sonhos bizarros ultimamente mas ,costumo nao deixar que eles me atrapalhem,aí vai um conto sobre "Sonhos Lúcidos" 

    Se aproximou das bordas daquele prédio, no alto daquela cobertura no vigésimo olhar. Espetáculo vertiginoso!!! As luzes dos carros lá embaixo, a lua no céu, o vento frio. A voz irritantemente sibilada incentivava: "Pula!! Que outra chance você vai ter de descobrir como é a sensação? Faz isso agora!" E ele pulou. Medo? Nenhum! Embora estivesse de coração disparado, ele sabia que nada aconteceria!

    Levantou sobressaltado de sua cama, desperto de mais um daqueles conhecidos sonhos de quedas. "Seu anjo da guarda está em perigo!", era como alguns lhe explicavam tais sonhos. Ele não acreditava nestas coisas... A princípio não conseguiu se mover. Estava no comum estado de catalepsia, quando acordamos sem ter retomado controle total sobre os membros de nossos corpos. Acordamos sem acordar. Nosso cérebro está desperto, mas o resto do nosso corpo ainda não se deu conta disso. Ele esperou com paciência, aguardando que sua mente retomasse controle total sobre seu corpo. Sabia que não adiantava lutar, que isto só dificultaria mais. Tornaria mais dolorida a volta.
    "Foi tão real desta vez!!!"  Ele despertou em êxtase! "Quase tive medo de pular, de tão real que parecia a situação!", anotou em seu diário, registro fiel de experiências que ainda pretendia publicar. Mas ele pulou. Do vigésimo andar de um prédio imaginário. Sentiu a queda em detalhes, o vento em seu corpo na queda, a mínima brisa agitando cada pelo de seu corpo, até chegar o momento... do impacto! Ele até poderia imaginar o salto, a sensação da queda... mas...  o impacto final? Como saber como era, se ele nunca acontecera de verdade ? Que eram registros inexistentes em suas lembranças?
    Sonhos lúcidos! Todos nós lembramos de despertar de sonhos malucos, não é? Que depois fica claro o absurdo da situação, e não conseguimos entender como não percebemos que era um sonho  nos momentos que os sonhamos. E se... despertamos no meio deles? E, plenos de consciência racional, nos descobrimos acordar dentro de um sonho? E se nos descobrimos estar sonhando, e ainda assim continuamos sonhando? Que fazer nestas situações? Ele se decidira: "continuo sonhando!" E tentou ver até onde isto conseguia levar!
    Com a repetição todos os dias (ou seria melhor dizer "todas as noites"?)  ele foi atrás de uma explicação. Sonhos nos quais você SABE que está sonhando? Ah, admirável mundo novo! Num mundo de informaçõpes disponíveis em todos os cantos, ele não teve dificuldade em descobrir que aquilo que sentia era comum, e que já era descrito há milênios! E foi fazendo experiências.
    A princípio tentou interagir com as personagenns à volta, bonecos movidos pela própria mente na tentativa de tornar a experiência aceitável. Falava com elas, discutia... Se surpreendeu a princípio com suas inteligências, sua capacidade de simulação... Pois estava claro agora que elas não existiam! Que eram criações de sua própria mente tentando enganar a si próprio!
    Teve várias amantes imaginárias a princípio. Ou o que ele imaginava serem amantes em sua cabeça, uma vez que ele próprio as criava. Maravilhosas? Óbvio que sim, já que ele mesmo as havia criado! Mas ficou chato, pois ele sabia que era tudo mentira, uma ilusão muito bem feita... mas uma ilusão!! Tinham que ser perfeitas, já que ele próprio as criava dentro de sua cabeça, dentro do cenário elaborado por si próprio para vivenciar suas fantasias. Sonhos lúcidos... Sua vida mudou quando percebeu ser ele mesmo capaz de criar um mundo perfeito dentro do qual poderia viver suas mais doidas experiências!
    Naquela noite ele "despertou" em meio a um sonho real demais, de uma nitidez de detalhes que ele nunca tinha visto! Levantou da cama e se encaminhou para a rua, impressionado pela sua capacidade de criação, pelo impressionante detalhismo capaz de enganar a si próprio!
De pijamas, a luz do sol o aquecia numa sensação bem realista! O povo de bonecos mentais o observava sem nada entender. Era mais um sonho lúcido! Este bem especial, mais "lúcido" do que estava acostumado a presenciar até então. Se encheu de coragem:
    - Estão olhando o quê, seus autômatos mentais, bonecos de minha própria mente?
    Estava se sentindo bem à vontade naquele mundo criado dentro da própria cabeça. Resolveu ousar, como fizera em sonhos lúcidos anteriores.
    - Querem ver algo chocante mesmo? Inesperado?
    No meio da rua, começou a se despir de seu pijama ridículo. Ficou completamente nu em meio aos olhares atônitos de uma população imaginária! O sonho continuava, mais real que nunca! Que tentar agora?
    - Cidadão! - se aproximou uma figura fardada. - Creio que o senhor está passando dos limites...
    Ah, um policial imaginário!!! Ele esperava por isso, ele próprio apresentando para si mesmo suas censuras mentais. Nunca faria isto em situações normais. Mas por que não tentá-lo no próprio sonho? Sabia nunca poder fazer isto na realidade. Mas no imaginário, nenhum desejo era proibido! Queria testar, descobrir até onde poderia levar aquele sonho absurdo! Agarrou o pênis semi-ereto, e berrou:
    - Pega aqui, polícia!!!
    O policial (na verdade, simples representante da guarda municipal) ficou sem reação. Por isto o deixou entrar naquele prédio. E foi assim que ele, totalmente nu, entrou naquele elevador lotado. Todos o observando sem saber como reagir. Foi quando ele começou...
    - Estão olhando o quê? - a certeza de que breve acordaria daquele sonho absurdo o enchia de coragem. - Querem ver um negócio bem legal?
    Sob o olhar espantado da ascensorista, de crianças, de senhoras de idade inconformadas... ele começou a bater uma punheta sob o olhar incrédulo daquela multidão que o fuzilava no elevador lotado! Ele ainda berrou quando a porta se abriu no trigésimo andar do prédio:
    - Estão vendo bem este dedo? - por um breve momento, ele se questionou se não estaria exagerando mesmo sabendo estar vivendo um simples sonho, que só acontecia dentro de sua cabeça. Mas continuou: - Vão todos à merda, seus fantoches imbecis!
    E correu nu pela cobertura do prédio. Algumas pessoas o acompanhavam, percebendo que ele não estava em seu estado normal.
    Ainda gritaram ao vê-lo correndo em direção às beiradas do prédio:
    - Para aí, cara!!! - tentavam correr para segurá-lo. - O que você vai fazer?
    - Eu vou voar, seus idiotas!!! - um senhor ainda quase conseguiu agarrá-lo, mas ele escapou livre, e pulou do alto da cobertura daquele prédio de 30 andares. - Vou voar!!! Hahahahaha!!!
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    Os policiais tentavam afastar os curiosos daquela massa de carne disforme no meio da rua.
    - Alguém pode nos dizer, sem histeria, o que aconteceu aqui de verdade?
    - Exatamente o que já te disseram, delegado! - e um guarda municipal estava do lado dele comprovando tudo. - Ele chegou aqui, começou a xingar todo mundo, tirou a roupa, parecia estar drogado!
    O guarda municipal também começou a dar sua versão.
    - Tentei convencer o cidadão, mas ele estava mesmo bem alterado! Deveria mesmo tentar pará-lo, mas fiquei sem saber como reagir quando vi ele, insano, me mandando "pegar" no negócio dele... A gente não está preparado para essas coisas, sabe? Vacilei, e quando percebi ele já tinha entrado, pelado, naquele elevador lotado...
    Histéricos, os passageiros do elevador falavam ao mesmo tempo:
    - Ele tinha cara de louco, tarado! - berrava uma velhinha.
    - Já estudei distúrbios parecidos. - começou um psicólogo. - Afirmo que não era perigoso...
    - Ele começou a bater uma punheta na frente da minha filha!!! - gritou uma mãe inconformada. - Eu mesmo o teria matado, se ele mesmo não tivesse feito isso...
    Uma massa de carne no meio da rua. Resultado do impacto de um corpo que pulou do trigésimo andar de um prédio. Sonho? Sim, seu último sonho.
    Não o julguem, por favor! Certamente ele não cometeria nenhuma destas barbaridades se soubesse que elas eram reais. Para ele, não passava de mais um sonho lúcido, como tantos outros que sonhara até então. Acreditando ser tudo uma criação sua, representada dentro de um palco existente dentro da própria mente, ele não se importava de cometer tais barbaridades. Que outra oportunidade ele teria de fazer tudo isso? Xingar as pessoas na rua, ficar nu na frente delas, desafiar um segurança a "pegar" no membro dele, bater uma bronha num elevador lotado, e, enfim... pular do trigésimo andar só para sentir a sensação da queda?
    Ele só podia fazer isto dentro de seus sonhos. E os sonhos lúcidos eram vívidos demais, pareciam reais mesmo! Só que... aquele ERA MESMO real. Acostumado com tais sonhos, ele acabou confundindo sonho com realidade, não percebeu que aquele último sonho só era nítido demais porque realmente estava acontecendo! Ele sofria de sonambulismo, não sabia que alguns de seus sonhos lúcidos poderiam não ser sonhos, mas realidade. Tarde demais para descobrir isto...

A Primeira Noite de Terror de Vincent Belfry

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A Primeira Noite de Terror de Vincent Belfry

Imagem retrativa de uma Taberna


 Vincent Belfry não tinha ideia do que o esperava quando saiu de casa para beber na taverna naquela noite fria de dezembro, andando pelas ruas molhadas de chuva pela cidade desalmada e chutando os cachorros pelo caminho, só queria esquecer por um momento da sua vida malograda de escritor fracassado tomando quantas doses de absinto seu fígado pudesse aguentar, a capa vitoriana que comprara há tempos atrás serpenteava ao redor do seu corpo, o fazia estranho em meio aos prédios altos luzindo sob a lua cheia lá no alto do firmamento. Ainda assim estava frio e Vincent aconchegava a capa mais perto dos ombros, nos dedos três reluzentes anéis de prata, herdara um de um tio, um do pai e um do avô.
Qual não foi a surpresa de Vincent Belfry ao ver as portas da taverna cerradas, literalmente tiritando de frio, com uma sede danada e puto da vida ele virou as costas e resolveu voltar para casa mas no meio do caminho havia algo parado, era uma prostituta deitada no meio da via, parecia que ela tinha se coberto com uns três quilos de papelão, Belfry via as pernas dela tremerem muito, "não está tão frio assim" pensou, então o que ele julgava ser um monte de papelão na luz pálida da noite se mexeu e ele viu, uma enorme criatura de pelo negro e olhos incandescentes, os dentes brilhavam na noite e Belfry só pôde berrar "É um lobisomem!!!" e sair correndo na noite, mas a criatura com incrível agilidade começou a persegui-lo, as passadas estrondavam o asfalto enquanto Belfry corria o mais rápido que podia, mas foi derrubado quando o enorme licantropo pulou em cima dele, imobilizando suas pernas.
Belfry sentia o bafo quente e fétido da criatura, um cheiro de sangue fresco, podia ver entre os dentes afiados os retalhos da carne da prostituta que o lobisomem acabara de dilacerar, e o lobisomem ia rasgar seu pescoço com uma dentada, mas em seu desespero Vincent Belfry deu um soco no focinho do licantropo, que milagrosamente recuou. As marcas dos anéis de Belfry se faziam visíveis no focinho da criatura. Numa explosão de adrenalina, Vincent Belfry correu como nunca correra na vida, o monstro ainda estava um pouco desnorteado para persegui-lo, os anéis eram de prata realmente pura e o soco fora num lugar crítico, Belfry viu as luzes de um táxi que deixava um elegante senhor à porta de um hotel e pulou para dentro do carro.
- Rua 47, avenida Bishop Stone.
- Muita pressa senhor?
- Você não imagina o quanto;
Um enregelante uivo se abateu sobre a cidade enquanto o carro dava partida, assustado o taxista perguntou:
- Jesus Cristo, o que será isso senhor?
- Acho melhor você pisar fundo.

O Caso do Cemitério Earpark

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O Caso do Cemitério Earpark


Etthero, Cemitério Earpark, 30 de maio de 2006
- Onde estou? – perguntei, assim que abri os olhos. Minha cabeça estava muita confusa, tudo rodava, era como se eu estivesse dentro de uma máquina centrífuga.
Quando a minha cabeça voltou ao normal, eu comecei a perceber que eu estava encostado no muro interior de um cemitério. Um cemitério... parece estranho alguém acordar dentro de um cemitério, à noite, em um breu danado, mas sim, essa era a realidade. Eu acordei dentro de um cemitério, sem ter a menor ideia de como eu fui parar ali e minha cabeça doía horrores. Foi quando comecei a me lembrar do que acontecera comigo.
Lembro-me de estar no meu colégio, quando o Bruno, o Mattheus e seus amigos me encurralaram na saída do banheiro, para praticarem bullying em mim novamente. Tentei fugir saindo correndo do banheiro quando um dos garotos me segurou. Com sua força, uma vez que o amigo era quase um guardarroupa, não conseguia me desvencilhar dele, até que Bruno me disse algo como "Você vai aprender a não fugir de Bruno McKanzie" e, em seguida, desmaiei, ao receber um forte golpe na parte anterior da minha cabeça.
E agora, eu parei dentro de um cemitério. Justo eu, o mais medroso dos alunos do colégio, que nem consegue assistir a um filme de suspense, acorda dentro de um cemitério, à noite. Ou melhor, um cemitério, não, O cemitério, uma vez que o Earpark é o maior cemitério da cidade. E eu fui largado do outro lado do portão do local.
O local estava muito nebuloso e mal conseguia ver para onde eu ia.
Tentei olhar para cima, para tentar ver o tamanho dos muros, mas me lembrei de que os muros do Earpark são imensos e possuem cercas elétricas. Não, não é para evitar que os mortos fujam, mas sim que os vivos entrem. Só não sei como a gangue do Bruno e do Mattheus entraram no cemitério, me despejaram aqui e foram embora, sem ninguém ver. Mas... este é o menor dos meus problemas. Depois que eu sair daqui, eu tento descobrir. SE eu sair.
- Bom – disse, para mim – Agora tenho de fazer o principal para sair daqui!
Comecei a gritar "SOCORRO!!" igual a um insano. E acho que esse foi o meu problema. Às 2 horas da madrugada, ninguém acreditaria que a voz insana pedindo socorro vindo do Earpark, que tem fama de as almas dos mortos perambularem pelo local à noite, fosse um ser humano. Por motivos mais que óbvios, todos acreditariam que o insano pedindo socorro era uma alma penada.
Passaram-se quinze minutos. O local foi se tornando cada vez mais medonho, e eu fui ficando cada vez com mais medo, acabei por mudar de tática e resolvi estufar o peito, criar coragem e sair do cemitério, pela porta. Era mais fácil sair escalando o portão do cemitério do que escalar os muros do Earpark.
Eu fui andando vagarosamente, passo a passo. A cada passo dado, olhava rapidamente para os lados para me certificar de que nenhuma alma penada resolveu aparecer para mim durante minha longa trajetória entre os corredores de enormes e horripilantes catacumbas, onde cada uma delas jazia um cadáver, que exalava aquele cheiro fétido no local.
A cada passo dado, eu ia ficando com mais medo. Eu tinha vontade de sair correndo igual a um louco, mas meu medo me travava e só conseguia andar passo por passo, sem coragem de olhar para trás para me certificar de que não seria atacado por trás. Eu sei que é insanidade da minha parte, mas é verídico de que, todos, sem exceção, quando estão com medo, acreditam que serão atacados pelas costas, como em um filme de terror.
Um filme de terror... era o que estava vivendo naquele momento. E a qualidade do filme tornou-se pior quando, no silêncio tenebroso do Earpark e daquela maldita e longeva noite, um som, como um gemido aterrorizador, ecoou por todo o céu negro, até invadir-me pelo ouvido e tomar meus movimentos. Minhas pernas foram ficando pesadas, fazia uma imensa força para ficar de pé; andar já estava se tornando impossível, meu medo era tamanho que queria correr, sair daquele maldito lugar, mas não conseguia, minhas pernas foram ficando fracas, o medo tomou conta de mim. Não aguentei o peso do meu próprio corpo e caí em cima das minhas pernas, escorado em uma horripilante catacumba.
A cada segundo que se passava naquele local, o gemido sinistro voltava a se repetir, cada vez com mais intensidade, em mais vezes. A cada segundo passado, o silêncio da noite foi sendo preenchido pelos gemidos. E, a cada gemido escutado, minhas forças foram se esvaindo do meu corpo, como um demônio em um corpo exorcizado. Levei as mãos às têmporas, como se quisesse fazer o som esvair-se do meu corpo, mas foi em vão. O som tomou o meu corpo, arrancando dele toda a força necessária para sair daquele inferno.
Dois, ou talvez três minutos depois do primeiro som, os gemidos estavam insuportavelmente ensurdecedores. Comecei a escutar um estranho barulho, semelhante a quando uma minhoca cavouca a terra à procura da superfície, só que com uma intensidade maior. Muito maior. E, a cada segundo, esse barulho foi aumentando, até que o pior pesadelo de cada pessoa na Terra ganhava vida, bem à minha frente. Os mortos começaram a se levantar, calmamente, como se não tivessem pressa de voltar à liberdade da vida. Aliás, vida é pejorativo, porque os mortos voltaram a andar, não a viver, eles eram acéfalos, andavam desgovernadamente pelo cemitério, como se fossem um bando de mortos de fome à procura de seu alimento. E, ao que tudo parecia crer, eu era o alimento de cada um daqueles mortos.
Quando os mortos começaram a se levantar e a andar como verdadeiros zumbis, um cheiro fétido tomou conta do ar. Deve ser pelo fato de a maioria deles já ter entrado em estado de decomposição. Muitos estavam desmembrados, outros faltavam-lhes pedaços da pele ou do corpo. Suas roupas já estavam praticamente decompostas, parecia que o último defunto enterrado no Earpark fora enterrado há, pelo menos, um ou dois meses.
Em questão de segundos, os zumbis tomaram conta do Earpark, e tive que me esconder em meio às catacumbas para tentar não ser notado. E parece que deu certo. Os zumbis foram andando, da mesma maneira, em direção à entrada do cemitério. A cada segundo passado, minha noite foi se tornando cada vez pior.
Ao perceber que os zumbis estavam indo em direção à saída, percebi que não era a única viva alma no local, havia outras pessoas. Estas devem ter escutado o meu berro e vieram ver, mas ficaram bastante assustados com os zumbis. Infelizmente, para o azar delas, o portão do cemitério estava fechado e os zumbis, em maior número, rapidamente as encurralaram.
Andei alguns passos, furtivamente, para ver o que os zumbis iriam fazer com aqueles pobres mortais. Acredito que não era para mim ter olhado o que os zumbis fizeram com aquelas pessoas. Eles seguraram o pescoço de sua respectiva vítima, que começou a tentar desvencilhar-se até no grito e mordeu-lhes o peito, arrancando-lhes, com a boca, boa parte dos mesmos. Por motivos mais do que lógicos, no instante seguinte, as vítimas caíram, jazendo no chão, com muito sangue em volta deles. Levei minha mão à boca, como prova da minha perplexidade. Como pode um ser vivo devorar outro ser vivo, ainda mais vivo? Nem nos rituais ou banquetes canibais acontece tanta brutalidade. É como se aqueles mortos fossem meros animais, que matam suas presas mordendo-lhe um ponto vital e matando-lhes a mordidas.
Em seguida à queda dos cadáveres no chão, os mortos-vivos se jogaram em cima deles, como verdadeiros acéfalos, devorando os cadáveres parte por parte, como um bando de leões devorando sua presa. Todos os zumbis que estavam próximos da matança começaram a cair em cima de suas presas e a também começarem a devorá-las. Eu fiquei inerte, observando a carnificina crua que estava acontecendo na entrada do cemitério. Não conseguia raciocinar nada, absolutamente nada, nem mesmo tentei pensar em fugir do meu iminente destino. Pouco tempo depois, os zumbis, lentamente, começaram a se levantar e a se dispersarem, procuran-do o seu próximo alimento – eu, diga-se de passagem. Mesmo com os zumbis se levantando e me procurando com sua incrível velocidade, não conseguia tirar os olhos do que um dia fora um ser vivo – sobrara apenas parte do tórax, com os ossos e muito sangue, parte das vísceras e parte do rosto, nariz, bochecha, bastante desfigurados pelas mordidas. Era horrível aquela cena. Não conseguia encontrar forças para, ao menos, tirar os olhos, mesmo tentando relutar mentalmente que eu iria conseguir ter um destino distinto daquelas pobres almas. Afinal, o portão estava agora aberto – não era necessário mais escalá-lo – e os zumbis estavam se dispersando do local. Mesmo assim, meu cérebro dizia que eu iria ser devorado por aqueles zumbis e o medo foi tomando conta do meu corpo, tirando novamente minhas forças.
Estava tão "entretido" com aquela visão que nem reparei que, a cada segundo que se passava, o cheiro podre foi ficando mais forte. E mais forte, e mais forte... Também não reparei um gemido conhecido – e assustador – nas minhas costas, além da presença de alguém atrás de mim.
Quando percebi que havia alguém atrás de mim, meu cérebro rapidamente conseguiu me dar forças e consegui olhar para trás, a ponto de ver que um zumbi, em um estado tétrico de decomposição, estava caindo, literalmente falando, em cima de mim, com a bocarra aberta e os braços esticados em minha direção. Meu cérebro conseguiu dar um único comando – era hora de sair dali. Como uma pessoa de filmes de ação pulando de um prédio explodindo, consegui pular rolando para longe da mordida voraz do zumbi, que caiu literalmente de cara no chão, mas conseguiu arranhar até o fundo minha perna esquerda. Como eu não sou nenhum atleta, meu corpo começou a doer em decorrência do meu pulo e da minha ferida, que sangrava bastante. Tentava levantar, em vão - minhas pernas e braços latejavam demais. Ao perceber que o zumbi estava começando a se mexer novamente, tentei me levantar – mesmo com meus braços e pernas parando de latejar, a ferida estava doendo muito, e impedia o movimento completo da perna. Fui me rastejando, com o zumbi rastejando atrás. Rastejei algum tempo, até ter a ideia de chutar o rosto do zumbi com a minha perna sã. E assim fiz. E descobri que, assim, o zumbi perderia a cabeça, literalmente falando. E lá foi a cabeça do zumbi rolar pelos corredores horripilantes do Earpark.
Com dificuldades, apoiado em uma catacumba, me levantei. Fraco estava, mal conseguia ficar de pé, pois minha perna ardia muito. Ainda apoiado na catacumba, comecei a andar lentamente, praticamente rastejando-me por aquele lugar por demais tenebroso. Foi quando percebi que os zumbis estavam me procurando desesperadamente, como se estivessem horas sem se alimentar – e alguns estavam até meses sem se alimentarem. Comecei a andar abaixado, só olhando rapidamente para ver a quantos andam os zumbis.
Andei algumas catacumbas e já estava exausto. Como minhas forças se esvaíram por completo, acabei caindo no local mesmo. Estava ofegante, minha respiração era irregular e meu coração acelerava. Acelerava a cada passo que eu escutava próximo a mim. Encolhia no local onde eu estava, como se estivesse nu em uma geleira, a cada passo que eu escutava vindo de detrás da catacumba que eu estava encostado. Passo a passo, passo a passo, a cada passo que eu estava, eu ficava cada vez com mais medo, encolhia cada vez mais, e ficava cada vez mais insano no local.
Foi quando eu tomei um baita susto, a ponto de o meu coração quase sair pelo peito e eu dar um poderoso grito – grito que chamou a atenção de todos, descobrindo, assim, que os zumbis reagiam a som. Assustei-me quando um zumbi apareceu do nada caindo em cima de mim, depois de debruçar como um acéfalo na catacumba e jogar seu peso para cair do outro lado. Dessa vez eu não estava com força para desviar, portanto caí no chão, com o zumbi em cima de mim. Por sorte, consegui segurar suas mandíbulas com minhas mãos. O bafo gélido vindo de sua boca me causava náuseas – principalmente porque o bafo gélido era tão fétido quanto o cheiro de sua decomposição, além do sangue quente que escorria de sua boca e caía no meu rosto. Mas, com uma insana ajuda das minhas pernas, que me custou bastante sangue e me causou uma dor monstruosa, eu consegui empurrar o zumbi para longe. Rapidamente, me levantei e comecei a andar, enquanto limpava o rosto, usando o resto das minhas forças para sair daquele inferno o mais rápido possível. Entretanto, senti alguma coisa bastante forte segurar minha perna esquerda, que quase me fez cair de cara no chão, mas, apoiando-me na catacumba que estava do meu lado, consegui ficar de pé. Em seguida, olhei para o que estava me segurando. Fiquei surpreso ao ver o zumbi que derrubei me segurando com sua mão em estado de decomposição, suja de sangue, enquanto partia com suas mandíbulas vorazes em direção ao meu calcanhar. Mas, minha reação foi rápida, um forte e certeiro chute no meio de seu rosto, fazendo sua cabeça voar e confirmar minha teoria de que chute na cabeça de zumbi acabava com o maldito.
Comemorei o meu segundo zumbi morto, em perfeito silêncio, obviamente, e me virei para continuar a minha jornada para sair do Earpark, quando tomei outro susto – silenciosamente, dessa vez. Outro zumbi estava pronto para me estrangular, com seus braços esticados, em direção ao meu pescoço. Recuperado do susto, quando o zumbi já me segurava, empurrei o monstrengo para trás, fazendo-o cair.
Rapidamente pensei para onde eu iria. Olhei em volta de mim e percebi que os caminhos entre as catacumbas estavam sendo bloqueados pelos zumbis, que se aproximavam de mim cada vez mais. Ao perceber que o zumbi que joguei no chão começou a dar sinais de que se levantaria, tive uma brilhante ideia – subir nas catacumbas. Por mais que todas elas estivessem abertas, por onde os zumbis saíram, era o lugar mais seguro no momento. Eu tinha que ir andando pelas catacumbas até chegar a um local onde não haveria mais zumbis, ou tivesse poucos deles, e eu conseguiria sair do Earpark. Segurei a cruz da catacumba mais próxima a mim, para que eu tivesse um apoio para subir nela. Fazendo uma tremenda força nos braços, fui subindo de pouco em pouco, pouco em pouco... Porém, antes de terminar de subir, o zumbi que eu derrubara mordeu minha perna esquerda, na região da canela, arrancando um pedaço e jorrando sangue por todos os lados.
Senti uma tremenda dor – uma parte de meu corpo foi arrancada vorazmente. Porém, aquela não era hora de fraquejar – com meu sangue saindo do meu corpo com mais intensidade, automaticamente os zumbis são atraídos com maior facilidade e descobrem com mais precisão o meu paradeiro. Pensando em como eu gostaria de viver caso saísse dali, criei forças para puxar minha perna para cima da catacumba. Quase não conseguia colocar minha perna esquerda no chão – ela estava com muitos machucados para ignorar, além de uma enorme vazão de sangue. Rapidamente, tirei minha blusa e a amarrei na parte comida da minha perna, estancando o vazamento de sangue – não a dor, infelizmente – e apenas molhando-a com meu sangue. "Isso será útil durante algum tempo, até que o pano fique encharcado por completo, o que não demorará muito", pensei.
Porém, pensei em sair dali ao perceber que os zumbis esticavam os braços para pegar minha perna. "Malditos zumbis", pensei. Saí correndo como um famigerado pelas catacumbas, sentindo muita dor. Consegui passar pelos zumbis facilmente, mas, ao pular por uma catacumba, errei a direção e bati com a boca do estômago na ponta da cruz, caindo no chão com muita dor. Vomitei horrores no momento, e tentava me levantar, mas doía demais.
Custei alguns valiosos minutos para conseguir me levantar e voltar a andar – valiosos porque deu tempo de os zumbis chegarem perto de mim. Andar era pejorativo, porque eu estava me arrastando, com a mão esquerda no local da dor, e puxando minha perna esquerda, que continuava a doer e o corte não parava de sangrar – sangrava dezenas de vezes menos que a mordida, mas continuava a doer. Foi quando percebi que ferida de zumbi não sarava naturalmente.
Levantei-me e fui andando pelo corredor de catacumba onde eu estava. Os zumbis estavam próximos a mim, e todos andavam praticamente na mesma velocidade. "Será que eu estou me tornando um zumbi também, de pouco em pouco?", pensei, ao concluir sobre a paridade das velocidades. "Não", retruquei, "É por causa dessas malditas feridas.", concluí.
Continuei a andar, o portão principal não estava longe de mim, mas, com aquela minha velocidade de zumbi, parecia que o corredor fosse infinito.
Mas, graças aos céus, não era. Depois de muito tempo e de fazer muito esforço físico, consegui chegar perto do portão principal. Ao chegar ao último corredor de catacumbas, percebi que me encontrava aonde aconteceu o assassínio daqueles pobres seres. Eu sentia o cheiro de sangue quente vindo dos cadáveres e eles ainda me causavam fortes náuseas quando eu lhes olhava. Ainda era forte na minha cabeça a cena dos zumbis lhes devorando e, mesmo agora, reduzidos a um mísero pedaço de gente, pedaço mutilado - é perfeitamente notável a presença de mordidas vorazes no que sobrou, talvez no tórax eles devoraram o coração e os pulmões e deixaram as carnes do que sobrou, além de partes das vísceras, como o intestino. Ou quiseram ir atrás da outra alma viva presente no local – eu. Quem irá entender a cabeça de um zumbi? Ninguém, porque, até este caso no Earpark, nunca havia acontecido incidência de zumbis em nenhum local do mundo, mesmo nos lugares mais sinistros do mundo tirando o Earpark. Além disso, como entender a mente de um ser acéfalo?
Bom, deixando conversas de lado, eu estava bastante feliz por estar no portão do cemitério – Deus ouviu as minhas preces. Agora era torcer para aquele caso no Earpark fosse apenas por lá, e não no resto na cidade, ou no mundo inteiro. Imaginou ser o único ser vivente deste planeta? Seria enlouquecedor.
Infelizmente para mim, quando eu estava próximo à saída do Earpark, os cadáveres que ainda não se levantaram começaram a ganhar vida, justamente quando o azarado estava passando. Aquele dia realmente foi um grande azar da minha parte: sofri bullying violento, fui largado no Earpark, o maior cemitério da região, acordei à noite, os mortos resolvem voltar à vida bem quando eu estava por lá, sofri dois golpes violentos NA MESMA PERNA, caí de estômago na cruz da catacumba, e agora, justamente quando eu estava passando pelos cadáveres inanimados do cemitério, eles resolvem se levantar, JUSTAMENTE QUANDO EU ESTAVA PASSANDO. Que azar dos infernos o meu naquele dia. Só faltava ser sexta-feira 13 ou 6 de junho, mas não era. Era um dia "normal"... no calendário, pelo menos.
O fato é que os malditos cadáveres inanimados resolveram ficar animados, e um deles resolveu segurar minha perna, JUSTAMENTE A PERNA ESQUERDA, e me fez cair de cara no chão.
"Ferrou", pensei. Agora com um zumbi segurando minha perna e outros cadáveres se arrastando como cobras (porque não há outro meio de locomoção deles a não ser este), tudo levaria a crer que meu destino era se juntar a eles. Virei para trás para tentar chutar a cabeça do zumbi que estava segurando minha perna. Assim que fiz isso, os demais zumbis rastejantes se atracaram no meu tórax, na região das costelas, começando a mordê-lo. Aquela dor infernal que senti quando um desses malditos mordeu minha perna voltei a sentir, agora no tórax, com uma intensidade maior, porque eram vários zumbis, além daquele zumbi que segurou minha perna agora mordia meu calcanhar, logo abaixo da ferida anterior.
Como não conseguia se desvencilhar daqueles acéfalos, comecei a me rastejar, insano, como se quisesse fugir para conseguir viver. E realmente estava. Comecei a botar sangue pela boca, à medida que as feridas causadas pelos zumbis começaram a aumentar. Rastejei alguns metros, antes de sentir vários zumbis caíram de boca, literalmente, nas minhas costas.
A minha força foi se esvaindo numa velocidade estrondosa, como meu sangue estava, escorrendo pelas curvas do assoalho do cemitério velozmente, criando verdadeiros rios de sangue. Estiquei meu braço esquerdo – o único braço livre, porque o braço direito também tinha um zumbi atracado nele – e tentei falar alguma coisa, mas apenas saiu sangue e um pequeno gemido – meus pulmões estavam se enchendo de sangue causado pelas feridas no local, antes de sentir minha cabeça e meu corpo pesados. Meu braço caiu no chão, ainda esticado. Meus músculos, que estavam tensos, relaxaram ao mesmo tempo em que minha vista escureceu e meus olhos se fecharam... para sempre!

Psicose - Registros

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Registro 1

Cometi um terrível erro. Achei que fosse só paranóia, mas agora eu sei que me persegue. E nunca vai me deixar esquecer meu erro idiota.

Não tenho certeza de como "ele" se parece. Sei que seu nome é Karma. Achei que ele me protegeria... Estava errado.

Vamos começar do começo. Ouvi certa vez de um ritual, chamado Julgamento do Karma. Por razões que você virá a entender, não posso descrever o ritual. É muito perigoso.

A lenda sobre o ritual é que uma vez que você o pratica, Karma o julgará. Decidirá se você é uma pessoa boa ou ruim. Se decidir que você é uma pessoa deveras boa, ela irá fazer sua vida um paraíso, do contrário... Bem, por isso estou escrevendo.

Deve ter havido algum erro, não é possível. Sou uma ótima pessoa, ou ao menos achei que fosse. Cheguei a pensar que o ritual não havia funcionado, mas logo se tornou aparente que eu havia sido amaldiçoado. Assim que terminei o ritual, voltei para casa, e encontrei meu cachorro partido ao meio. Rezei para deuses que eu sequer acreditava para que aquilo houvesse sido trabalho de um ser humano.

Até agora, durante três dias, não consegui dormir. Independente de quantos calmantes eu tome. Toda vez que olho para uma janela ou um espelho, vejo um vulto negro que some no mesmo instante.

Espero que escrever me ajude. Pelo menos tem acalmado meus nervos. Por hoje chega de escrever.

Registro 2

Não consigo dormir. Se eu adormecer, ele me atacará. Planeja me matar enquanto eu durmo. Agora a pouco quase dormi. Fechei os olhos por 5 segundos. Quando os abri, eu o vi! Karma estava bem na minha frente. Ele assume a forma de um garotinho de 5 anos com o cabelo castanho bagunçado. Suas roupas são farrapos marrons do pescoço aos pés. Seus olhos verdes ofuscados de ódio, e sua boca é toda costurada.

Assim que mantive contato visual, ele olhou para dentro de mim e sumiu logo em seguida. Senti uma terrível dor por toda minha pele, corri ao espelho para encontrar marcas de unhas humanas por todo meu abdômen, costas e pernas.

Registro 3

Esse é o quinto dia sem dormir. para me manter acordado tenho tomado pílulas de adrenalina e energéticos e me entupido de cafeína. Comecei a me cansar, então tomei o novo hábito de fazer ínfimos cortes em meu braço para que a dor ajude a me manter entretido e acordado. Até agora são 8 cortes.

ME tranquei em minha casa desde ontem, quando voltei rápido do mercado com suprimentos para me manter acordado. Se eu sair, posso acidentalmente dividir emu azar com outra pessoa. Pelo que a lenda diz, qualquer um que entrar em contato com alguém que foi julgado ou que contem informação sobre o Karma, pode ser julgado por ele. Por isso assim que terminar de escrever isso irei queimar minha casa junto com meu computador, para que esse arquivo não chegue no conhecimento de outros ou na internet, para que todo e qualquer sinal dessa maldição suma e não possa atingir outros.

Ouço alguém na porta.

Registro 4

Perdi a noção de dia e noite. Na última noite (noite, eu acho) tranquei, fitei e bloqueei todas as minhas portas e janelas, joguei todos meus espelhos em uma pilha no meu quintal e cortei qualquer modo que ele tivesse de chegar até mim.

Os cortes no meu braço agora cobre ele todo, e não estão mais ajudando, já em acostumei. Então decidi cortar o dedo mindinho do meu pé esquerdo. Imediatamente cicatrizei o corte com o metal quente de uma panela que mantive no fogo para esse fim.

Registro 5

Ele falou comigo. Ele fala através de sussurros que ecoam em toda a casa e em minha cabeça. Me contou de como ele era antes de ser o que é agora. Quando jovem, seja lá quem estivesse responsável por ele, o batia e o torturava de maneiras terríveis. chicoteavam-o e costuravam sua boca. E toda vez que ele tentava dormir, eles o puniam de maneira mais doentia e dolorosa ainda. E então, atualmente, ele busca se vingar, proporcionando isso a toda e qualquer pessoa que mereça.

Não sei porque ele me contou essas coisas, mas eu realmente me senti um pouco mal por ele. Um pouco de pena... Mas talvez esse fosse seu objetivo.

Estou acordado desde que posso me lembrar, desde o ritual. Cortei todos meus dedo dos pés, o mindinho, anelar e médio da mão esquerda. Queimei todas as cicatrizes para parar o sangramento, é claro.

Registro 6

Achei deveras difícil cortar meu pé esquerdo. Provavelmente a maior dor que já senti na vida, mas é minha última saída para não dormir.

Estou tremendo enquanto escrevo isso. Felizmente, sempre fui obcecado por literatura, então dificilmente vou conseguir parar de escrever.

Recentemente, percebi furos em meus lábios que não estavam aqui antes. Acho que só não havia prestado atenção. Acho que a pior parte em não dormir é não conseguir pensar em mais nada a não ser em me machucar para me manter acordado.

Registro 7

Não posso crer que estou todo esse tempo sem dormir... Não acredito... Não posso acreditar... Não é humanamente possível.

Registro 8

Agora ele começou a apelar. Para todo lugar que olho o vejo, escuto seus gritos vindo lá de baixo, mas eu sequer tenho porão... Mas o que mais assusta é que, escuto alguém gritar junto com ele. Gritar ameaças. É a voz de um adulto. Provavelmente a pessoa que criava ele.

Não aguento mais. Cobri o chão da minha casa com fluido de isqueiro. Não vou dar a ele a satisfação de me matar. Esse é meu último registro. Quando terminar de escrever, colocarei fogo em minha casa.

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Avaliação psiquiátrica, Dr. henry Rouge.Paciente sofre de um avançado caso de psicose, sendo o pior caso de insonia que já vi. Se auto mutilou, cobrindo o braço esquerdo de pequenos cortes, arrancando o pé esquerdo, todos os dedos do pé direito e todos os dedos da mão direita e três da esquerda. Ao que aparenta, isso tudo foi devido a um sério distúrbio de stress pós traumático. Seus antigos registros psiquiátricos mostram que ele era torturado quando criança pelos pais abusivos ( o que explica as envelhecidas marcas em seu abdômen, costas e pernas e as cicatrizes em seus lábios, uma vez costurados) até que ele foi forçado a matá-los. Ele continuava a me olhar com seus olhos verdes, chocados, e dizendo "Karma vai fazê-lo pagar."

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Nota pessoal, Dr. Henry Rougue,O computador do paciente foi encontrado no meio dos entulhos. Li o arquivo com os registros que ele escreveu através de sua decadência e achei tudo muito perturbador. Mandarei esses arquivos aos meus colegas para que eles possam estudar e me ajudar a decidir no que devo fazer.

PS: desde que li aquele registro, tem ocorrido estranhas coincidências comigo. Tenho medo de dormir.

 
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